Autoagressão: sinais, causas e como buscar ajuda psicológica
Entenda os sinais e causas da autoagressão, e saiba como a psicoterapia online pode ajudar na recuperação emocional.

A discussão sobre comportamentos autolesivos ainda é cercada por estigma e silêncio no Brasil. Mesmo temas tão sensíveis merecem ser tratados com clareza e compaixão. Nossa experiência na Terappy mostra que, ao abrir espaço para esse diálogo, contribuímos para diminuir o sofrimento de milhares de pessoas que se sentem sozinhas diante de feridas invisíveis e silenciosas. Neste artigo, queremos esclarecer o que significa a autoagressão, quais os fatores envolvidos em sua origem, seus efeitos e, principalmente, como buscar apoio psicológico seguro e acessível.
O que é autoagressão e como reconhecemos?
Autoagressão é qualquer ato intencional que cause dano físico ou psicológico à própria pessoa, sem necessariamente ter como objetivo a morte.Esses comportamentos podem surgir de diferentes formas, como cortes, arranhões, queimaduras, ingestão de substâncias ou bater com força em objetos. Muitos casos ganham destaque na adolescência e juventude, mas podem atingir pessoas de todas as idades.
Há uma diferença importante entre o comportamento autolesivo não suicida e tentativas de suicídio: na primeira situação, a intenção não é provocar a morte, mas sim aliviar dor emocional, expressar sentimentos difíceis ou sentir algo físico diante de um sofrimento psicológico intenso. Já no caso suicida, há o desejo de acabar com a própria vida. Essas distinções, porém, não diminuem a gravidade dos quadros.
"A dor psicológica pode doer tanto quanto uma ferida real."
As motivações para a automutilação muitas vezes não são entendidas nem mesmo por quem as pratica. Isso dificulta pedir ajuda e recepcionar pedidos de auxílio vindos de amigos e familiares.
Principais causas: por que alguém se autolesiona?
Estudos apontam que ferir o próprio corpo é resultado de uma combinação complexa de fatores, biológicos, psicológicos e sociais. A autoagressão não resulta de uma única causa, mas sim de um acúmulo de vivências e fragilidades. Em nossa atuação na Terappy, observamos padrões recorrentes:
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Transtornos mentais: Depressão, ansiedade, transtornos de personalidade (principalmente o borderline), esquizofrenia, e transtornos alimentares aumentam o risco desses comportamentos.
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Histórico de traumas: Pessoas que enfrentaram abuso físico, emocional ou sexual, além de negligência na infância, podem recorrer à autolesão como tentativa de lidar com a dor psíquica.
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Baixa autoestima e autocrítica: Sentimentos de inadequação, autodepreciação e culpa profunda favorecem práticas autodestrutivas.
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Dificuldade de regulação emocional: Dificuldade em expressar, nomear ou comunicar emoções faz com que algumas pessoas encontrem na dor física um modo de extravasar sofrimento e buscar alívio imediato.
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Ambiente familiar e social: Vivências de rejeição, bullying, discriminação (inclusive de identidade e orientação sexual), ou vivência em contextos violentos ampliam o risco, segundo o Atlas da Violência do Ipea.
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Fatores socioeconômicos: A falta de acesso a recursos, desigualdade, racismo e exclusão social também aparecem em várias pesquisas como fatores de risco.
Não importa a idade, o gênero ou a origem: qualquer pessoa pode ser afetada. No entanto, adolescentes e jovens aparecem mais frequentemente nas estatísticas – e entre eles, meninas relatam mais os comportamentos, embora garotos possam manifestar quadros igualmente sérios.
Sinais e manifestações de autolesão: como identificar?
Perceber sinais em si mesmo ou em alguém próximo é fundamental para quebrar o ciclo do silêncio. Nem sempre a pessoa que se machuca expõe ou fala abertamente sobre o que está vivendo. Pela nossa vivência, esses são alguns dos sinais mais comuns:
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Feridas frequentes: Cortes, arranhões, marcas de queimadura ou machucados recorrentes, geralmente em braços, coxas ou abdômen, justificadas como "acidentes".
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Uso constante de roupas longas: Mesmo em climas quentes, para esconder lesões.
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Objetos suspeitos entre pertences pessoais: Lâminas, tesouras, isqueiros ou qualquer item usado para machucar.
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Isolamento social: Afastamento de amigos, familiares e atividades antes prazerosas.
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Mudança abrupta de comportamento: Oscilações de humor, irritabilidade, tristeza, desesperança e aumento do silêncio ou agressividade.
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Comentários autodepreciativos: Fala frequente sobre se sentir inútil, inadequado, culpado ou “um peso para os outros”.
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Desinteresse espontâneo pela aparência pessoal: Como se a própria saúde não tivesse mais valor.
É importante compreender que nem toda ferida “acidental” esconde autolesão, mas o padrão repetitivo e o contexto emocional devem ser avaliados com cuidado e acolhimento.

Impactos da autoagressão na saúde física e mental
Os efeitos desse tipo de comportamento prejudicam diversos aspectos da vida. Do ponto de vista físico, há risco de infecção, cicatrizes permanentes, danos mais graves dependendo do método utilizado e até complicações como infecções generalizadas. No aspecto mental, o sofrimento se aprofunda.
Frequentemente, quem recorre à autoagressão desenvolve vergonha, culpa e medo de ser descoberto. Muitos se sentem incompreendidos até mesmo por profissionais de saúde. O processo de recuperação pode ser lento, permeado por recaídas, exigindo muito apoio.
Segundo dados publicados nos Cadernos de Saúde Pública, de 2013 a 2023 foram registradas mais de 18 mil internações e 261 óbitos por lesões autoprovocadas em crianças e adolescentes no Brasil – um sinal importante do quanto o tema precisa ser tratado com seriedade e políticas públicas de acolhimento.
O contexto brasileiro e o aumento de casos
De acordo com um levantamento do Boletim Epidemiológico Paulista, o número de notificações de autolesões cresceu entre 2017 e 2022 em várias regiões do país, com queda apenas em 2020, possivelmente reflexo da subnotificação devido à pandemia. Esses dados colocam em alerta escolas, famílias, profissionais de saúde e redes de apoio.
O Atlas da Violência do Ipea ainda mostra que jovens negros são particularmente vulneráveis aos efeitos da violência e exclusão, dados que também refletem sobre a prevalência de comportamentos autodestrutivos em diferentes populações.
O papel do tratamento psicológico e os benefícios do acolhimento online
Buscar apoio psicológico é o caminho mais seguro para romper com padrões autodestrutivos e construir estratégias saudáveis de enfrentamento emocional.Em nossa experiência, percebemos o quanto a psicoterapia pode ajudar a identificar gatilhos, validar emoções e desenvolver novas formas de lidar com o sofrimento. O tratamento é individualizado, respeitando a história de cada pessoa.
Na Terappy, acreditamos que todos têm direito ao acesso facilitado à saúde mental. Nossa plataforma conecta quem precisa de suporte a psicólogos qualificados, sempre respeitando o sigilo, o acolhimento e a escuta ativa – fatores que reduzem barreiras até para quem sente vergonha ou receio do contato presencial. As consultas podem ser agendadas facilmente pelo WhatsApp, sem taxas na plataforma e com valores sociais.
Como a terapia online pode ajudar?
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Acolhimento imediato: O contato rápido e desburocratizado diminui a sensação de solidão e reduz o tempo de espera para o primeiro atendimento.
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Análise dos gatilhos: Com o acompanhamento constante, é possível identificar o que está por trás das crises, reconhecendo padrões e prevenindo recaídas.
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Técnicas de regulação emocional: Psicólogos ensinam técnicas de respiração, relaxamento, mindfulness, distração positiva e comunicação assertiva para fortalecer a autonomia emocional.
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Desenvolvimento da autoestima: Compreender a própria história e construir uma relação de aceitação consigo é parte do processo terapêutico.
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Prevenção de danos: O acompanhamento ajuda a criar pontes com outras redes de cuidado (família, escola, serviços públicos) quando necessário.

Alternativas seguras diante do impulso de se machucar
Quando a vontade de se autolesionar surge, agir rapidamente sem recorrer ao dano corporal é possível. Algumas estratégias podem ser úteis até o encontro com um profissional de saúde mental:
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Conversar com alguém de confiança: Um amigo, familiar ou um profissional pode transformar o peso da crise.
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Expressar emoções: Escrever cartas, desenhar, criar listas sobre o que sente ou falar em voz alta, mesmo sozinho, pode ajudar a organizar pensamentos.
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Usar técnicas de distração: Tomar banho, ouvir música, caminhar, exercitar o corpo, manipular argila, segurar um cubo de gelo ou rasgar papel são opções que canalizam a energia do impulso.
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Praticar respiração profunda: Ajuda a acalmar o sistema nervoso e diminui o impacto da crise.
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Planejar alternativas previamente: Listar em um papel estratégias de enfrentamento e deixar em local acessível – assim, quando a crise surgir, o acesso será fácil.
Nenhuma alternativa substitui a escuta de um psicólogo, mas funcionam como suporte até que o atendimento especializado aconteça.
Quando buscar ajuda profissional?
Não existe um momento “certo” para buscar apoio – sempre recomendamos que isso aconteça ao menor sinal de sofrimento. Mas é importante redobrar a atenção quando houver:
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Lesões cada vez mais graves ou frequentes;
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Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio;
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Dificuldade de realizar tarefas simples do cotidiano;
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Sensação persistente de desesperança.
Em situações de iminente risco de vida, é fundamental buscar atendimento emergencial imediatamente e acionar o Centro de Valorização da Vida (CVV), que está sempre disponível para acolhimento pelo número 188, além de outros serviços públicos de emergência.
O papel da família e da rede de apoio
Acolher sem julgamentos é um dos gestos mais potentes no processo de recuperação. Familiares e amigos podem:
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Ouvir mais do que falar, demonstrando empatia e evitando críticas.
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Incentivar a busca por terapia, mostrando que o pedido de ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem.
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Informar-se sobre o tema, seja por meio de textos confiáveis sobre saúde mental ou conversando com especialistas.
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Manter o contato regular, ajudando a pessoa a lembrar que não está sozinha.
Conclusão: o próximo passo na jornada de cura
Buscar apoio é o início de uma nova relação consigo mesmo.Além do sofrimento físico, a automutilação carrega dores emocionais profundas que merecem ser tratadas com respeito. Se você se reconheceu em alguma parte deste artigo, saiba que pedir ajuda é um ato de coragem – e não precisa ser solitário.
Na Terappy, orientamos e acolhemos sem julgamentos, conectando você a profissionais preparados para auxiliar em seu processo de recuperação. Democratizar o acesso à saúde mental e combater o estigma sobre a autolesão são compromissos que nos guiam. Se estiver pronto para dar o próximo passo, conte com a nossa plataforma e permita-se uma nova forma de cuidado.
Perguntas frequentes sobre autoagressão
O que é autoagressão?
Autoagressão é o ato de machucar a si mesmo de forma intencional, podendo causar ferimentos físicos ou sofrimento emocional. Muitas vezes, não está relacionada ao desejo de morrer, mas sim à tentativa de aliviar dores psicológicas, expressar sentimentos difíceis ou obter sensação de controle diante do sofrimento.
Quais são os sinais de autoagressão?
Entre os principais indícios estão feridas repetitivas (como cortes ou queimaduras), uso de roupas compridas fora de contexto para esconder machucados, isolamento social e mudanças abruptas de humor. Comentários negativos sobre si, comportamento mais reservado ou objetos cortantes incomuns também podem indicar o problema.
Por que as pessoas se machucam?
As razões variam, indo desde dificuldade de expressar sentimentos, traumas, baixa autoestima, transtornos mentais, até busca de alívio para uma dor emocional intensa. A autoagressão raramente se trata de “chamar a atenção”; é uma maneira limitada, porém real, de lidar com situações difíceis do ponto de vista psicológico.
Como ajudar alguém com autoagressão?
Ouça sem julgamentos, demonstre apoio, incentive a busca de ajuda profissional e mantenha o diálogo aberto. Evitar críticas e ameaças é fundamental; o acolhimento respeitoso é muito mais efetivo no processo de recuperação.
Onde buscar ajuda psicológica para autoagressão?
É possível iniciar o tratamento psicológico em ambientes online, como na plataforma Terappy, que conecta pessoas a psicólogos do Brasil de forma acessível, sigilosa e sem burocracia. Também oriente, em emergências, a procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV) através do telefone 188, além de postos de saúde ou serviços de pronto atendimento.
