Pessoa assexuada: entenda identidade, mitos e apoio psicológico
Entenda a identidade da pessoa assexuada, mitos sobre a orientação e a importância do apoio psicológico adequado.

Entenda a identidade da pessoa assexuada, mitos sobre a orientação e a importância do apoio psicológico adequado.

Quando se pesquisa sobre orientações sexuais, torna-se evidente o quanto a experiência de pessoas que não sentem atração sexual ainda permanece invisível para grande parte da sociedade. Dúvidas, receios e até conselhos equivocados são frequentemente direcionados a essas pessoas, muitas vezes sem qualquer embasamento. Por isso, este artigo propõe um diálogo sobre identidades assexuais, com o objetivo de desmistificar ideias errôneas, ampliar o entendimento e promover respeito e autoconhecimento, com base em relatos, dados recentes e fundamentos da saúde mental. Falar sobre o tema é, sobretudo, abrir espaço para acolhimento e inclusão.
Uma das principais confusões em torno da assexualidade está relacionada ao seu significado. Ainda é comum a ideia equivocada de que pessoas assexuais seriam incapazes de sentir afeto ou que essa vivência seria apenas temporária. Na realidade, a assexualidade é uma orientação sexual caracterizada pela ausência, baixa frequência ou inexistência de atração sexual por outras pessoas. Isso não significa incapacidade de amar, de se relacionar ou de expressar carinho.
É fundamental diferenciar atração sexual, atração afetiva e atração romântica. São experiências distintas. Muitas pessoas assexuais desejam intimidade, vínculos profundos e relações baseadas em cuidado e companheirismo. O que não está presente, necessariamente, é o impulso sexual.
Também é importante distinguir entre o que se sente (atração), o que se faz (comportamento) e como se identifica (identidade). Pessoas assexuais podem manter relações sexuais por diferentes razões pessoais, como curiosidade, desejo de agradar o parceiro ou experimentação. A orientação está ligada à ausência de desejo espontâneo, não à ausência de ações.
A orientação assexual não limita a capacidade de amar.
Relatos indicam trajetórias diversas. Algumas pessoas descrevem a ausência de atração sexual desde a infância; outras só percebem essa diferença após a adolescência, quando se sentem deslocadas em conversas sobre desejo sexual. Não existe um único padrão de descoberta.
Entre as vivências mais comuns, estão:
Pessoas que nunca sentiram atração sexual, mas apreciam conexões afetivas;
Pessoas que sentem atração sexual rara ou flutuante;
Indivíduos que diferenciam atração estética (reconhecer beleza) de atração sexual.
Com o aumento das discussões sobre diversidade, mais pessoas têm se sentido seguras para se reconhecer e dialogar sobre suas vivências, sem a pressão de se adequar a normas sociais impostas.
Há grande confusão entre esses conceitos. Ser assexual não significa não se apaixonar ou não desejar companhia. Algumas pessoas sentem atração afetiva sem desejo sexual; outras vivenciam diferentes tipos de atração de formas distintas dos padrões mais conhecidos.
No cotidiano, essas distinções podem ser compreendidas assim:
Atração sexual: desejo de envolvimento sexual;
Atração romântica: desejo de proximidade, paixão e construção de um relacionamento;
Atração afetiva: vontade de estar junto, compartilhar momentos e criar laços profundos;
Atração estética: apreciação da aparência ou do estilo de outra pessoa.
Existem pessoas que sentem atração romântica, mas não sexual, apreciam carinho e contato físico, como abraços, sem interesse em sexo. Todas essas experiências são válidas.
Ainda persiste a ideia equivocada de que a ausência de desejo sexual seria sempre sinal de doença, trauma ou fase passageira. No entanto, assim como outras orientações, a assexualidade é uma identidade legítima, respaldada por pesquisas.
Levantamentos realizados pela USP e pela Unesp indicam que 5,76% dos brasileiros se reconhecem no espectro assexual, com predominância feminina (93,5%). O estudo também aponta que 1,1% dos participantes nunca sentiram atração sexual ao longo da vida.
A sexualidade só se torna um problema quando causa sofrimento intenso. Quando a pessoa está confortável com sua identidade, não há nada a ser tratado.
A assexualidade abrange múltiplas experiências, formando o chamado espectro assexual. Entre as variações mais conhecidas estão:
Assexual estrito (Ace): não sente atração sexual em nenhuma circunstância;
Demi-sexual: sente atração sexual apenas após forte vínculo emocional;
Gray-A (cinza-sexual): sente atração sexual rara ou em situações específicas;
Recipro-sexual: sente atração após perceber que é desejado;
Auto-sexual / auto-romântico: sente atração por si mesmo;
Assexuais românticos: sentem atração romântica, mas não sexual.
O espectro também inclui diferentes orientações românticas, como heterorromântica, homorromântica, birromântica, panromântica ou sem rótulos. Nenhuma dessas vivências é mais ou menos legítima.
Um dos mitos mais frequentes é a ideia de que relacionamentos dependem exclusivamente de sexo. Pessoas assexuais podem se apaixonar, construir vínculos profundos, formar famílias e viver relações significativas.
As formas de relacionamento podem incluir:
Relações românticas sem sexo, com forte envolvimento emocional;
Relações abertas, com acordos claros;
Parcerias baseadas em companheirismo e cuidado mútuo.
O diálogo, o respeito aos limites e os acordos consensuais são fundamentais.
Toda forma de amar merece respeito.
Entre os mitos mais comuns estão:
A ideia de que a assexualidade é consequência de trauma ou doença;
A crença de que é apenas uma fase;
A noção de que pessoas assexuais não amam ou não querem companhia;
A afirmação de que nenhuma relação sobrevive sem sexo.
Esses estigmas reforçam o preconceito e não condizem com evidências científicas nem com os relatos de pessoas assexuais.
A invisibilidade é um dos principais desafios. Muitas pessoas se silenciam para evitar julgamentos. A ausência de referências na mídia, na educação e nos serviços de saúde contribui para o isolamento.
Há relatos de abordagens patologizantes, inclusive em ambientes familiares e profissionais, o que reforça a necessidade de informação e acolhimento adequados.
A inclusão passa por:
Educação sexual e afetiva plural;
Capacitação de profissionais de saúde;
Materiais informativos baseados em evidências;
Ambientes terapêuticos livres de julgamento.
Iniciativas como a Terappy contribuem para esse avanço ao oferecer acesso facilitado a psicólogos preparados para acolher a diversidade, sem taxas extras além do valor da sessão.
O objetivo da psicoterapia não é mudar ou “curar” a orientação sexual, mas acolher, fortalecer a autoestima e promover bem-estar. O profissional deve:
Respeitar a autodeclaração da identidade;
Identificar possíveis sofrimentos associados ao estigma;
Auxiliar na comunicação em relações e contextos sociais;
Apoiar o enfrentamento da discriminação.
A terapia não é obrigatória, mas pode ser um recurso importante para quem enfrenta dúvidas, sofrimento emocional ou exclusão social.
A busca por suporte psicológico é indicada quando:
Há sofrimento persistente em relação à identidade;
Pressões externas afetam autoestima e relações;
Surgem ansiedade, depressão ou isolamento;
Existem conflitos familiares, afetivos ou profissionais.
Em situações de emergência, deve-se procurar serviços especializados, como o Centro de Valorização da Vida (CVV).
Algumas atitudes fundamentais incluem:
Escutar sem invalidar sentimentos;
Respeitar limites e preferências;
Evitar piadas, clichês ou tentativas de “correção”;
Buscar informação em fontes confiáveis.
Empatia é o caminho para inclusão.
Falar sobre diversidade implica falar sobre acesso. Serviços de saúde mental acessíveis permitem que mais pessoas encontrem acolhimento, independentemente de classe social, localização ou orientação sexual.
Plataformas online ampliam esse acesso, reduzem distâncias e oferecem conforto para que cada pessoa construa sua jornada no próprio ritmo.
O caminho do autoconhecimento transforma solidão em liberdade. Quando identidades são respeitadas e acolhidas, abre-se espaço para o autocuidado e para uma vida mais autêntica.
Existem múltiplas formas de sentir, amar ou não desejar. Toda pluralidade humana merece respeito.
A experiência de pessoas que não sentem atração sexual é legítima, diversa e repleta de nuances. Compreender o espectro assexual, desmistificar preconceitos e promover respeito são passos essenciais para uma sociedade mais inclusiva.
O acesso à informação e a profissionais preparados faz diferença no enfrentamento do preconceito e no fortalecimento da saúde mental. Projetos como a Terappy ampliam esse acesso e contribuem para uma cultura de acolhimento.
O que significa ser uma pessoa assexuada?
É não sentir atração sexual por outras pessoas, parcial ou totalmente, independentemente de sentir afeto ou amor.
Quais são os mitos sobre assexualidade?
Confundir com doença, trauma, fase passageira ou ausência de sentimentos são alguns dos mitos mais comuns.
Pessoa assexual sente atração romântica?
Muitas sentem, sim. A orientação sexual não determina a forma de amar ou de se relacionar.
Como apoiar uma pessoa assexuada?
Com respeito, escuta ativa, informação e ausência de julgamentos.
Onde buscar ajuda psicológica?
Em plataformas inclusivas e seguras, como a Terappy, que conectam pessoas a profissionais preparados para acolher a diversidade.